SMQS 2010 – O Evento

Ocorreu em Belo Horizonte, nos dias 27 e 28 de Outubro de 2010 o “Seminário Mineiro de Qualidade de Software” (SMQS 2010). Antes de qualquer coisa já podemos dizer que assim como esperávamos foi uma excelente oportunidade para o Teste de Software Mineiro visualizar o que está ocorrendo no cenário nacional.

Diante de um mercado promissor e cada vez mais exigente tivemos, aqui em Minas, um evento de muita qualidade, que abordou assuntos extremamente relevantes para o profissional do Teste. Um evento para todos: seja o profissional de uma pequena ou grande empresa, seja um profissional recém chegado na área ou um profissional de longos anos de experiência.

Foram ao todo 12 palestras, bem balanceadas e divididas em dois dias.

1º Dia do Evento

O evento começou com a palestra sobre “Carreira e Certificações” do José Correia, em nossa opinião, foi uma das melhores do dia.

José Correia apresentou assuntos bem próximos da nossa realidade, assuntos que sempre estamos discutindo com colegas da área, indo ao encontro ao que já falamos aqui no Blog, como a importância da profissionalização da turma do Teste.

Deixou claro que o profissional do Teste tem que estar aberto às mudanças, conhecer um pouco de tudo (negócio + técnica), e claro, ter um perfil: detalhista, perfeccionista, criativo, organizado e estar sempre disposto a aprender.

Tocou em pontos chave como os cargos e os salários da área. Abordou também sobre a importante questão do possível apagão de profissionais qualificados na área que podemos ter em breve, em função dos grandes acontecimentos que ocorrerão no Brasil nos próximos anos: Olimpíadas, Copa, Pré-sal…

Por fim, José Correia deixou uma grande dica para os profissionais bem dispostos: “Os cursos e os treinamentos estão surgindo. O grande desafio é a especialização dos profissionais, as certificações são um grande diferencial”.

Esta dica vem de encontro com o nosso post “Os Profissionais do Teste de Software” onde questionamos exatamente isso: “O que nós profissionais da área estamos fazendo para nos tornarmos melhores?”

A 2ª palestra, “Gestão da Qualidade de Software” do Renato Volpe, foi mais voltada para a Qualidade.

Renato começou abordando os principais problemas enfrentados na Qualidade: custo, prazo, retrabalho e entendimento de requisito.

Tentou demonstrar que é possível sim melhorar um Processo, seja ele (ou a junção deles): CMMI, MPS.BR, SCRUM, ISO9000 – ITIL, através de boas práticas como buscar medir o retrabalho e utilizar três premissas básicas: maturidade, disciplina e compromisso.

“Tendências de Qualidade de Software” foi o tema da 3ª palestra, do Robert Pereira.

Robert falou sobre o esforço que as empresas têm tido em formar profissionais. Também enfatizou sobre a exigência do mercado e apresentou uma fórmula simples para melhoria da qualidade: gerenciar o que é possível, como por exemplo: regras de negocio, modelagem, requisitos, casos de uso, casos de teste, defeitos e ter uma automação efetiva, para reduzir o retrabalho.

Ok, o “simples” dito acima foi uma mera força de expressão, conseguir tudo isso não seria do dia para a noite, mas não sejamos tão pessimistas, impossível não é.

Robert apresentou um tipo de teste que está começando agora por aqui, o Crowdsourcing em Teste, uma maneira rápida e barata de realizar testes utilizando mão de obra barata através da junção de usuário da internet e usuários reais, com ampla cobertura de plataformas.

A 4ª palestra do dia foi “O fim do ‘Mas na minha máquina funciona!” do José Papo.

Papo apresentou a ferramenta da Microsoft “Visual Studio 2010”, demonstrando brilhantemente seus recursos para o ciclo de desenvolvimento como um todo e principalmente para o Teste de Software.

Um momento marcante da sua demonstração foi a frase dita e depois muito discutida com os colegas de evento: “70% dos Testes do mercado são manuais. O Teste Automatizado serve basicamente para fazer Teste de Regressão. O que acha erro mesmo é o Teste Manual.”
Você concorda?

A penúltima palestra do dia foi “Teste de Desempenho”, do Arthur Rodrigues.

O 1º dia terminou com o José Correia apresentando “Estratégias de Teste de Software”

José Correia afirmou que o primeiro passo para obter os resultados em um processo definido é ter uma visão clara do que se quer, através da definição de métricas.

Apresentou todas as características do ISO 9126, mostrou a metodologia SCRUM, suas vantagens e desvantagens, e explicou o TMAP, um processo de teste com mais de 20 anos no mercado internacional.

Um ponto interessante na abordagem sobre o SCRUM foi que em alguns pontos ele utilizou o nosso TCC como referencia bibliográfica e ainda comentou que o nosso trabalho ficou bacana. Ficamos verdadeiramente felizes!

Correia deixou claro que não basta pegar uma metodologia e implantar, é preciso uma adequação à realidade da empresa, e uma boa estratégia para qualquer Teste é se basear em riscos. Ou seja, definir: “Qual o ponto mais importante da aplicação é preciso testar?”

2º Dia do Evento

O 2º dia de Seminário começou com a palestra “Desafios na implantação de Fábrica de Testes” do Welington Monteiro

Acreditamos verdadeiramente que reservaram as melhores palestras para abrir os dias de evento.

Welington detalhou o processo de implantação da Fábrica de Teste na PRODEMGE, uma empresa de economia mista que desenvolve sistemas para o Governo de Minas.

Relatou que tinha em mãos um grande desafio, implantar um processo onde os Testes seriam mais rápidos e automatizados, com entregas no prazo e com maior qualidade. Para isso, o 1º passo foi interiorizar a importância do Teste de Software, conseguir algum diretor que comprasse a idéia, criar um processo compatível com o processo de desenvolvimento já existente e demonstrar as vantagens e ganhos da implantação do processo.

A metodologia utilizada para implantação do processo foi benchmarking com empresas que já vivenciaram a situação, a capacitação da equipe, a participação de eventos e aquisição de literatura especializada.

Depois dos estudos e de algumas trocas de experiências foram definidas terminologias, métricas, guias para execução das atividades, ambientes, indicadores e avaliação de ferramentas.
Hoje o processo está implantado e fábrica tornou-se fundamental.

A 2ª palestra do último dia foi “jCompany QA Suite” do Rogério Baldini que apresentou a framework da Powerlogic, que é a junção de várias ferramentas open source integradas visando a comercialização.

A 3ª palestra contou com a volta do José Correia que apresentou os “Testes Verdes”, um tema novo no mercado do Teste de Software que trata das questões do meio ambiente nos Testes. A idéia é testar o consumo elétrico das aplicações para reduzir o desperdício e a poluição através de medições elétrica e térmica com cobertura de 100%. O início dos testes Alpha dos Testes Verdes está previsto para Janeiro/2011.

A 4ª palestra “User Experience Design” de Antônio Mozelli, apresentou avançadas técnicas de Teste visando a Usabilidade dos sistemas como: pesquisas com os usuários, levantamento das expectativas e a criação dos protótipos.

Na 5ª palestra do evento “Testes Baseados nos Requisitos de Negócio” Victor Marinho apresentou a ferramenta da MicroFocus voltada para todo o ciclo de desenvolvimento.

A última palestra do evento “Alta Automação”, Itajubá Marques Segundo apresentou a utilização de robôs na automação do Teste de Software através da junção do hardware e do software.

A nossa conclusão

O Seminário foi simplesmente fantástico! Achamos que a participação em eventos desse tipo agrega muito valor aos profissionais, permitindo a troca de experiências, vivências, conhecimentos e aprendizados. Ouvimos relatos das diferentes realidades das empresas. Além disso, nos deu a oportunidade de aumentar os contatos com os profissionais da área para podermos contar com os mesmos posteriormente para retirar dúvidas, sugerir soluções e nos tirarmos de vários “sufocos” do cotidiano.

Acreditamos que a realização de eventos dessa natureza é de extrema importância para o Teste de Software. O mercado mineiro tem muito a contribuir, para isso é importante que mais eventos voltados para divulgação e fortalecimento da área sejam realizados no Estado com mais frequencia.

Nós, As Especialistas, marcaremos presença sempre! Para buscar cada vez mais conhecimentos e experiências. Futuramente, quem sabe, vamos poder contribuir não só como espectadoras, mas sim, como palestrantes ou fazendo parte da equipe organizadora. E com certeza, vamos publicar aqui, as nossas impressões com o objetivo de compartilhar com vocês tudo que ouvimos. Finalizamos este post com o gostinho de quero mais!

Em tempo:

O Camilo Ribeiro do blog The Bug Bang Theory também publicou as suas impressões sobre o evento, confira: Impressões sobre o Seminário Mineiro de Qualidade de Software

O vídeo oficial do evento também pode ser conferido no endereço: http://www.youtube.com/watch?v=ipOPRxkoiiQ

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Uma Resposta (+adicione o seu?)

  1. Camilo Ribeiro
    Nov 08, 2010 @ 11:51:56

    Boa tarde!

    Muito bom os comentários, concordo com tudo descrito :)

    Sobre o ponto dos testes automatizados, hoje eu uso DDT para criar testes automatizados com cobertura superior aos testes manuais. Usando o VSTS2010 eu crio um caso de teste e 200 linhas dados, cada linha validando uma regra desse mesmo casos de teste. Executo uma vez e converto em uma classe de teste de UI, depois mando o visual studio executar os 200 testes enquanto me preocupo com o próximo cenário. Depois leio o relatórios e executo manualmente os que apresentaram algum problema.

    O mesmo eu fazia nos trabalhos da UFMG usando o praxis 3.0, tanto em nível de unidade quanto funcional, mas lá tinhamos um framework para o RFT e RSA, o que complicava um pouco mais e exigia mais código que a solução da Microsoft.

    Abraços e parabéns pelo blog!

    Camilo Ribeiro

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